VIAJANTE DO AMOR - PARTE 9

ESTRELAS

        Na beleza impiedosa de ser, nos contornos saltitantes e esguios, eles caminhavam e se observavam passo a passo, dando entonações musicais de compasso para cada viagem que faziam. Lembravam tempos idos, falavam suas memórias e encantavam-se pelas sensações absurdas de leveza que sentiam perto um do outro.
    Enigmática e constante a harmonia nos seus encontros e passagens, jamais imaginados por um dos dois.Viajavam sempre sem destino, indo além das fronteiras dos pensamentos corriqueiros que os escondiam em seus mundos.
     Ele, dirigia com tal calma sua vida, que ela, imperiosa e majestosa sedutora de pensamentos, discorria nas entranhas daquele homem a sensação mais gostosa que havia sentido na vida.
     Não havia espaço que alguém, por mais sabido e estudioso, pudesse penetrar entre eles, estavam selados seus destinos numa sutileza de presença e de saber exatamente o que queriam, apenas ao se olharem.
      As situações da vida afastaram a presença, momentaneamente, mas quando tem-se a presença do outro em si, não se perde jamais a essência do que está dentro sobre o outro.
     Eles, na intimidade de seus corpos, estudados em si mesmos, sabiam que estariam em breve juntos novamente e que a relação que os envolviam os auxiliavam a uma busca constante do alvo além da materialidade.
      O crescimento de seus aprendizados terrenos ultrapassavam o de muitos que engatinhavam sobre as rodas dos corpos físicos. Sabiam que estavam além desses pensamentos de poder e luxúria.
     Naquele dia, então, passeavam no parque. E, nos fotogramas da natureza encontravam olhares da respiração da alma. A conversa era feita do brilho do olhar ao toque mais sutil entremeado de encantos intocáveis para muitos que desconhecem o valor de viver e de morrer.
    A morte, aquela que não seria física, estaria dando o patamar assíduo aos dois. Seria o aprendizado das tantas vezes que morremos dentro de nós, esquecendo-nos da presença e dos presente de estar ali inteiramente real ao parceiro ou parceira que escolhemos caminhar juntos.
        Ele e ela caminharam no parque, observando estrelas.

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