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VIAJANTE DO AMOR - Parte 14

   SINERGIA      A brisa aquecia o ventre dela nas entrelinhas do abraço amarrotado que a envolvia naquele apartamento, que nem dele era, mas era barulhento dentro da cabeça daquela mulher, por estar num lugar nem dele, nem dela. Disse ele ser o apartamento do um pai de um amigo, que lhe emprestou para passar a noite.        Como ele sempre estava viajando e entrara na  vida dela de uma forma singular, como um paraquedas colorido, não poderia deixar de estar com ele e compartilhar da sua presença naquele instante. Tinham uma conexão espiritual intensa demais. Muitas vezes quando um pensava no outro,  a conexão acontecia: um encontro na rua, um telefonema ou algo semelhante.        Dizem que as almas gêmeas fazem esse tipo de sinergia. Porém, como poderiam saber se o que acontecia era real ou fictício? Estavam buscando, na singela certeza, encontrar o que ficou perdido ou apenas experimentar aquela sensação fascin...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 13

A CASA No caminho,  descendo a velha escada,  encontrei a lamparina acesa.  Os calos em meu pés,  gastos de caminhar,  evocavam um sofá. A minha frente, vestido de solidão, encontrava-se aquele homem, dissolvido de seus ideais e totalmente frágil, sem destino. O quarto apagado em cima de nossas cabeças, já dizia que nada mais viria a tona daquela escalada sem fim que a vida nos trouxe. Então, arrumada de brisa, saí pela porta da frente, revestida de sagacidade, dissolvendo de dentro do meu envelope de emoções antigas, todas as histórias que passaram na minha porta.  E com olhar ainda distorcido, o homem, inquieto, contorcia-se de pecados inteligentes, como um mentiroso que o faz a si mesmo. Olhava-me, querendo pedir, mas seu orgulhoso tentáculo de falsidade, ainda escorrendo de sua boca corrosiva, me indagava o porque de tudo isso. Então, dando um passo a frente na saída da porta ainda aberta, acenei com um sorriso sarcástico sobre o sa...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 12

RETORNO Ora, naquela manhã, disfarçada de mal-me-quer, ela encontrava-se de afazeres domésticos e mal conseguia olhar o céu como de costume. Seu jeito perfeito de querer ser eficiente em tudo, lhe punha de frente à uma força de coisas a fazer sem fim. estilhaçada, lavava roupas, cozinhava, secava a louça que já havia lavado, pendurava roupas ao varal, limpava o chão com pano úmido depois de ter varrido, tirando a poeira dos móveis e passando líquido de lustrar com a flanela amarelada, dando o brilho de costume, enquanto olhava a máquina de lavar novamente e derretia os olhos com a música que tocava na rádio falando de amor. Ah! Ela não sabia de quase nada por estar tão envolvida em seus afazeres, perdia-se totalmente do eixo central que não era a limpeza exterior, mas a da alma. Então o interfone tocou para parar o ar da graça de todo penteado de atividades feitas pela extensa manhã. quem poderia ser aquela hora e ela terminando o almoço. Atendeu o interfone, perguntou ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 11

'DANE-SE' Ela, passeava numa sala de aula, quando uma aluna fala alto e em bom tom: "DANE-SE". Então ela perguntou a aluna se na vida da gente tudo poderia ser um Dane-se. Ela particularmente tinha acabado de receber um DANE-SE e esse foi o motivo mais presente e intermitente de procurar uma resposta. Será que existem muitas pessoas por aí fazendo de sua vida um DANE-SE? Então começou  e a refletir como um DANE-SE poderia afetar a vida em pequenos detalhes. " Esta palavra pode trazer muitas coisas e acredito que muitas pessoas a usam apenas no pensamento e tratam outras pessoas como um DANE-SE em sua existência" Ela pensava, pensava e recentemente afetada por um dane-se de um homem, numa situação nova, percebeu que muitas pessoas, que perdidas estavam em suas solidões internaulticas, ou mesmo suas solidões coletivas diante de tanto dinheiro e ninguém para abraçar, ela pensava... O homem, vestido de ouro, muito educado, aparentemente, sem filho...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 10

BIZARRO            Ela, em seus ensaios de vida e de viver, conhecera outro homem que chamara sua atenção internamente e, apesar de tantas desvarios nesta área, resolvera dar-se a oportunidade de, quem sabe, encontrar alguém que pudesse ser um companheiro em sua vida.           O dia era escuro, nebuloso e ele chegara em sua casa depois de um pouco mais de cinco horas de viagem. Falara que viria ajudá-la a resolver os problemas financeiros auxiliando na construção de um site na internet e que isso poderia se estender à sua família, o que ajudaria quando houvesse vendas diretas pela internet.           Cheio de idéias e sugestões, instalou-se na casa dela para, com toda certeza, não gastar seu dinheiro, alegando ter muito, mas ela pouco entendeu.          Ela, que outrora já tinha passado tantas, mas com seu coração aberto ao novo, acreditou em cada palavra, porém sua ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 9

ESTRELAS         Na beleza impiedosa de ser, nos contornos saltitantes e esguios, eles caminhavam e se observavam passo a passo, dando entonações musicais de compasso para cada viagem que faziam.  Lembravam tempos idos, falavam suas memórias e encantavam-se pelas sensações absurdas de leveza que sentiam perto um do outro.      Enigmática e constante a harmonia nos seus encontros e passagens, jamais imaginados por um dos dois.Viajavam sempre sem destino, indo além das fronteiras dos pensamentos corriqueiros que os escondiam em seus mundos.        Ele, dirigia com tal calma sua vida, que ela, imperiosa e majestosa sedutora de pensamentos, discorria nas entranhas daquele homem a sensação mais gostosa que havia sentido na vida.       Não havia espaço que alguém, por mais sabido e estudioso, pudesse penetrar entre eles, estavam selados seus destinos numa sutileza de presença e de saber exatamente o que ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 8

DESEJO           Era discreto o desejo,  como de um gato selvagem,  a percorrer lentamente as entranhas dela.  Ele a fitava estonteante,  num desejo sublime de tê-la só para si.  Recortava-se nela as imagens tão distantes sonhadas,  acontecendo como num prato suculento de iguarias inimagináveis.  As mãos tocadas, pelo leve intrigante fascínio,  percorriam o corpo interior dela,  sobrevoando imagens jamais sentidas por ele.         O quarto,  a cama redonda,  o espelho no teto e nenhuma vergonha.  Estavam na imagem de um pulular dissonante de situações dantes dissolvidas,  direto para o gol. Haviam contornos sadios que invocaram, outrora passageiros, olhares apenas exteriormente.  Mas,  naquele instante,  ela sabia,  que ele, chegara num olhar além da pele.           Ele a tocou nas profundezas do seu útero,  tr...