VIAJANTE DO AMOR - PARTE 7
O BEIJO
Os olhos dela, arredios, ainda cintilavam de luz, naquela madrugada na busca inquieta de pensamentos sobre seu amado de alma.Quanto tempo ainda? Apesar de todas as instruções que recebera durante toda sua vida, ainda se contorcia, por certo e as vezes, a procura de seu amado, parecendo cada vez mais distante o encontro. Um momento único, talvez, a friccionasse a compelir extravagante, um encontro.
Porém, ele, em sua inimaginável forma de ver, por dentro das coisas aparentes, deixara para trás o seu grande amor. Quando, nos tempos áureos, se encontravam, era libertador.
Mas na história dela, se tornara prisioneira de enfado, pela dissimulação que o acometia, sempre em suas meras passagens de encontro. A química divina, o toque, o beijo quente, como se fossem feitos um para o outro.
O tempo, arredio inseto, que nos consome. Colocava-se cada vez mais distante da ação esperada, por ela, dele. O primeiro encontro seria o maior e melhor equivoco que se dera na vida dela, porém as bagagens dele, por demais pesadas, para que ela, aguentasse estar ali para sempre, sem ao menos estar com ele.
Ele, na sua habilidade de conquistador, quis uma nova presa, um novo objeto, um novo produto, quem sabe? Ela o amou de verdade, esperando que sua palavra fosse realmente de homem, homem que promete e cumpre.Talvez, ele, com o fogo divino do sexo por ela, não conseguisse perceber um traço simples que ela lhe dissera quando o primeiro beijo aconteceu. Não percebeu que a autenticidade dela era muito maior que sua esperteza.
O primeiro beijo, talvez apenas desejo, se deu numa madrugada, evento musical que se derramara sobre a vida dela. Ele, faceiro, a observava, estonteante, sedutor, querendo algo que ela nem poderia imaginar. Para ela, o melhor beijo, arrebatador. Para ele, a caça, sem pudor.
Ela, começando após o beijo, nos dias seguintes, a comunicar com ele, se deixara levar pela sua sedução interminável. Ela, que no auge de sua vida, estava esperando alguém que a completasse, sonhou com ele entregando um buque de rosas vermelhas. Achou, por certo, que ele era quem ela esperava.
Em seu momento auge e de grande relevância, vários homens estavam tentando assediá-la, porém, por causa daquele sonho ela resolveu abrir apenas para ele. Talvez tenha sido o pior, talvez tenha sido o que pertencia naquele momento ao seu aprendizado.
Ela se deu por vencida e resolveu encontra-lo, mas não sabia que ali estaria entrando como prisioneira de um reboliço intento desgastado de ficar a deriva recebendo cargas pesadas da mala daquele homem que vinha apenas para mordê-la e fazer doer.
Sim, quando se viram, a sós, pela primeira vez, foi estonteante, sexo maduro, daqueles que arrepiam o corpo todo, dos pés até os fios do cabelo. Como se conhecessem há muitos e muitos milhares de anos.
Ele a recebeu num grotesco local desarrumado, empoeirado e desorganizado, dizendo que estaria fazendo, brevemente, reformas. Ela em sua sã inocência acreditou em suas palavras e o beijou profundamente apaixonada pela sua alma, ainda desconhecida. E ali fizeram-se amantes, profundamente, se tocaram intensamente de todas as formas e cores.
Muitos anos anteriores a esse encontro fulminante, eles fortuitamente teriam pavor um do outro. Ela não gostava dele, achando-o altamente petulante e invasivo. Ele a detestava achado-a totalmente insana nos movimentos da vida, achando uma pessoa de vida louca.
Assim, com o passar do primeiro ato e segundo ato, ela descobriu que ele morava com uma mulher. Ele em seu infinito emaranhado, começou a seduzi-la lentamente e apaixonadamente. Mas a situação, ainda que insana, parecia que chegaria a um relacionamento, que começou numa sedução alarmante para ela, deliciosa para ele, finalizaria de forma arrebatadora para ambos.
Dissera-lhe que sua situação com a outra estava em término, como todo bom malandro fala. Então ia seduzindo e envolvendo-a cada vez mais em seus percalços incertos de vida.
Quando, com o passar do tempo, ela via estonteante e distante a proposta mentirosa. Ela ia se contorcendo, se fechando e deixando para trás as augurias de liberdade que tinha antes de estar com ele. Percebia, que cada vez ele distante de sua promessa. Cada dia ela estaria mais e mais perdida e envolvida num período negro de sua vida como num deserto, onde somente ela poderia entender e passar. Ela, que pronta estaria para um relacionamento saudável e feliz, foi se transformando em uma pessoa pesada pelas promessas infindas e totalmente inconsistentes dele. Talvez , ele tivesse algum sentimento por ela, mas ela, depois de certo tempo, não percebia o grau de acometimentos mentirosos dele.Verdades e mentiras não se combinam, e aí estava exatamente o ponto inicial, onde antes se detestavam. Ele, mentia. Ela, verdadeira sempre.
Porém, o pouco que se encontravam, existia uma simbiose espiritual que acometia ela de visões na hora do coito. Como se pudesse ver vidas passadas que estiveram juntos e esse encontro veio para um certo concerto, porém, apenas ela poderia entender profundamente, já que ele ainda ignorava todas as atitudes que o promoviam a mentir e a simplesmente dissolver como um certo tipo de homem chamado"galinha" em cima de muitas outras mulheres além dela.
Ela, que tudo percebia, além de saber da outra, estava envolvida na alma com aquele, que por certo, escolheu acreditando em suas promessas distorcidas.
Ele retalhava, desconversava e mentia cada vez mais.
Ela, empata, percebia seus erros e lhe falava. ele subliminarmente fugia, arredio, quando ela falava.
Assim, depois de muito tempo tentando, ela começou a sofrer dentro de sua alma verdadeiramente fiel a ele. Ela passou a perder o rumo em que estava destinada por conta de amar um homem canalha.
Durante um longo período, ela tentou convence-lo a falar a verdade e conversar abertamente. a única coisa que lhe falara : não gosto de mentiras, seja sempre verdadeiro comigo em tudo. Queria apenas que ele mudasse as propostas e falasse a verdade, o que não aconteceu.
A mentira foi tamanha que ela pode simplesmente pegar palpável e diretamente num encontro fortuito e por acaso num restaurante.
Ela, saíra de seu carro, que por acaso estacionou em frente ao dele sem perceber. quando caminhava para o restaurante, o avistou. Passou por ele e, depois da mentira que ele lhe dissera, que estava num acidente numa estrada; ela ali, soube que o canalha era também um mentiroso, que não conseguia parar de mentir. Porém, percebera que o grande mal que lhe acometia era doentio, mentia a si mesmo diante de toda situação que não conseguia resolver diretamente, e eram infinitas.
Ele, considerado por ela, naquele momento, um Don Juan barato e mentiroso. Ele assim, perdera alguém que lhe amou verdadeiramente. Fim.
Comentários
Postar um comentário