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VIAJANTE DO AMOR - PARTE 6

O GRANDE APRENDIZADO          Ela,  descascava a laranja e sentia como se  estivesse sendo descascada.           A verdade é que observava externamente a situação que durante muito tempo a rodeou e a descascou, não só por fora, mas penetrou em seus gomos,  invadindo seus interiores e sugando grande parte do sumo que lhe pertencia.           Uma situação igual ao aspirador de pó, só que sentiu-se desnuda,  incompleta e totalmente amassada.            Então,  ao deparar-se descascando a laranja,  observou a sensação que houvera passado antes,  na meditativa forma de passar a faca lentamente ao redor da laranja,  retirando a casca.          Durante bom tempo ficou assim,  com  frio,  pois o sumo ia esvaindo e perdendo o sabor pela forma como foi  descascada.  ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 5

        O MENTIROSO            Hoje, pela manhã, resolvi escrever um pouco sobre um tipo de pessoa, as que mentem. Claro que nem todos são mentirosos, mas estamos falando da pessoa que de tanto mentir fica doente pela mentira, a tal ponto, que parece que engole toda mentira na barriga gorda ou magra, tanto faz.            Durante toda vida aprendi que não devemos mentir por que a verdade é algo que deve prevalecer, mas os mentirosos acham e falam conosco que devemos rever os conceitos que temos da vida por que ele ou ela estavam dizendo a verdade.             Aprendi a observar muito desde pequenina e não foi à toa que Deus em sua infinita misericórdia, parece não permitir que certas pessoas se aproximem de mim. Acredito que temos realmente essa proteção.            Era uma mu...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 4

ESTÁGIO DE AMOR     O dia amanheceu sombrio, mas nas entrelinhas do sol batendo naquela janela adocicada de maio,  você entrou pela porta da sala aterrizando ao meu lado no sofá e me cheirando o cangote.   Estava nublado, era domingo e estávamos sozinhos naquele ninho de delicadezas, entre cobertas olhando a praia pela vidraça. O sol nascia e você começou a fazer-me carícias das quais sabia onde me levariam.   Meu corpo todo foi ficando relaxado com seus beijos estonteantes e suas carícias intrigantes, como se me conhecesse a alma.    Estava vestida num moletom azul claro e você de cinza, mas quando percebemos o enlace, já estávamos totalmente nus por baixo das cobertas que lentamente iam caindo e estávamos r evestidos dessa beleza agradável quando se ama verdadeiramente alguém, e fazíamos amor na velocidade certa de duas pessoas que se conhecem profundamente e se amam de verdade.    O sol lentamente subia sobre nossos corpos...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 3

INFÂNCIA                Num sublimal desempenho de gotículas banhando o vidro da cozinha, ela lembrava-se de muitos momentos de sua vida e escrevia, na satisfatória vontade de ser, um dia, reconhecida como escritora.                 Em suas ternas e meigas palavras, saudava todos os amores de sua vida, descrevendo pedaços de passagens, que escolhidas, lhe causaram grande aprendizado. Então reuniu, num escrito, todos os romances que a vida lhe trouxera, dando-lhes vida.                Quando nova, em idade muito tenra, estava ela sentada num banco da escola, quando lhe veio ao lado um menino, entregando-lhe um embrulho, um livro de presente. Ela, em ápice momento, descobriu-se amada pelo olhar oposto.           ...

VIAJANTE DO AMOR -PARTE 2

CASOS DE AMOR                No dia seguinte, ela vestida para trabalhar, com expressão atarefada pelo corre, corre do primeiro dia da semana, embrenhou-se numa fuga desesperada do seu amado.                Ele, em seu movimento "sublimal" de quase anjo, sustentava a vontade de revê-la e tocá-la umidamente em sua transparência musical de mulher.                O dia se foi, a noite chegou e a partida dele foi cruel, aconteceu sem que ela o pudesse segurar timidamente. Mas ela continuou voltando ao parque e caminhando entre as árvores para, num vislumbre, quem sabe, encontra-lo. Tentou rever aquele que em seus sonhos estaria completando sua alma, mas ele se foi sem resposta.                A vida come...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 1

O SANTINI Sobre folhas secas, salpicadas pelo outono, passos leves murmuram o caminho. Sob os olhos andam e vêm, conversam com as flores espalhadas em seu rumo, deixando caminhar. Conhecendo a verdade, talvez sem limites do coração, mas são seguidos pela sombra sem poder, se quer ver. Sob ele estão às folhas que cobriram a primavera e o coração, estilhaçado, coberto pela poeira da explosão, de amor, que em rima e verso confessam a dor, marca de uma cicatriz profunda, oriunda de um tempo distante, que não se apaga, não acaba. Suas mãos tocadas pela busca maçante, se tornam objetos perdidos no seu próprio corpo. No seu rosto a vergonha, não consegue esconder. E no corpo, o sexo escondido e terrivelmente exposto em sua cabeça, e em sua face maltratada pelos seus próprios passos, onde o coração, com a cicatriz totalmente exposta vagueia pelo mundo tentando translucidar o que já ficou cravado.               ...