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VIAJANTE DO AMOR - PARTE 12

RETORNO Ora, naquela manhã, disfarçada de mal-me-quer, ela encontrava-se de afazeres domésticos e mal conseguia olhar o céu como de costume. Seu jeito perfeito de querer ser eficiente em tudo, lhe punha de frente à uma força de coisas a fazer sem fim. estilhaçada, lavava roupas, cozinhava, secava a louça que já havia lavado, pendurava roupas ao varal, limpava o chão com pano úmido depois de ter varrido, tirando a poeira dos móveis e passando líquido de lustrar com a flanela amarelada, dando o brilho de costume, enquanto olhava a máquina de lavar novamente e derretia os olhos com a música que tocava na rádio falando de amor. Ah! Ela não sabia de quase nada por estar tão envolvida em seus afazeres, perdia-se totalmente do eixo central que não era a limpeza exterior, mas a da alma. Então o interfone tocou para parar o ar da graça de todo penteado de atividades feitas pela extensa manhã. quem poderia ser aquela hora e ela terminando o almoço. Atendeu o interfone, perguntou ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 11

'DANE-SE' Ela, passeava numa sala de aula, quando uma aluna fala alto e em bom tom: "DANE-SE". Então ela perguntou a aluna se na vida da gente tudo poderia ser um Dane-se. Ela particularmente tinha acabado de receber um DANE-SE e esse foi o motivo mais presente e intermitente de procurar uma resposta. Será que existem muitas pessoas por aí fazendo de sua vida um DANE-SE? Então começou  e a refletir como um DANE-SE poderia afetar a vida em pequenos detalhes. " Esta palavra pode trazer muitas coisas e acredito que muitas pessoas a usam apenas no pensamento e tratam outras pessoas como um DANE-SE em sua existência" Ela pensava, pensava e recentemente afetada por um dane-se de um homem, numa situação nova, percebeu que muitas pessoas, que perdidas estavam em suas solidões internaulticas, ou mesmo suas solidões coletivas diante de tanto dinheiro e ninguém para abraçar, ela pensava... O homem, vestido de ouro, muito educado, aparentemente, sem filho...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 10

BIZARRO            Ela, em seus ensaios de vida e de viver, conhecera outro homem que chamara sua atenção internamente e, apesar de tantas desvarios nesta área, resolvera dar-se a oportunidade de, quem sabe, encontrar alguém que pudesse ser um companheiro em sua vida.           O dia era escuro, nebuloso e ele chegara em sua casa depois de um pouco mais de cinco horas de viagem. Falara que viria ajudá-la a resolver os problemas financeiros auxiliando na construção de um site na internet e que isso poderia se estender à sua família, o que ajudaria quando houvesse vendas diretas pela internet.           Cheio de idéias e sugestões, instalou-se na casa dela para, com toda certeza, não gastar seu dinheiro, alegando ter muito, mas ela pouco entendeu.          Ela, que outrora já tinha passado tantas, mas com seu coração aberto ao novo, acreditou em cada palavra, porém sua ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 9

ESTRELAS         Na beleza impiedosa de ser, nos contornos saltitantes e esguios, eles caminhavam e se observavam passo a passo, dando entonações musicais de compasso para cada viagem que faziam.  Lembravam tempos idos, falavam suas memórias e encantavam-se pelas sensações absurdas de leveza que sentiam perto um do outro.      Enigmática e constante a harmonia nos seus encontros e passagens, jamais imaginados por um dos dois.Viajavam sempre sem destino, indo além das fronteiras dos pensamentos corriqueiros que os escondiam em seus mundos.        Ele, dirigia com tal calma sua vida, que ela, imperiosa e majestosa sedutora de pensamentos, discorria nas entranhas daquele homem a sensação mais gostosa que havia sentido na vida.       Não havia espaço que alguém, por mais sabido e estudioso, pudesse penetrar entre eles, estavam selados seus destinos numa sutileza de presença e de saber exatamente o que ...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 8

DESEJO           Era discreto o desejo,  como de um gato selvagem,  a percorrer lentamente as entranhas dela.  Ele a fitava estonteante,  num desejo sublime de tê-la só para si.  Recortava-se nela as imagens tão distantes sonhadas,  acontecendo como num prato suculento de iguarias inimagináveis.  As mãos tocadas, pelo leve intrigante fascínio,  percorriam o corpo interior dela,  sobrevoando imagens jamais sentidas por ele.         O quarto,  a cama redonda,  o espelho no teto e nenhuma vergonha.  Estavam na imagem de um pulular dissonante de situações dantes dissolvidas,  direto para o gol. Haviam contornos sadios que invocaram, outrora passageiros, olhares apenas exteriormente.  Mas,  naquele instante,  ela sabia,  que ele, chegara num olhar além da pele.           Ele a tocou nas profundezas do seu útero,  tr...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 7

O BEIJO      Os olhos dela, arredios, ainda cintilavam de luz, naquela madrugada na busca inquieta de pensamentos sobre seu amado de alma.Quanto tempo ainda? Apesar de todas as instruções que recebera durante toda sua vida, ainda se contorcia, por certo e as vezes, a procura de seu amado, parecendo cada vez mais distante o encontro. Um momento único, talvez, a friccionasse a compelir extravagante, um encontro.      Porém, ele, em sua inimaginável forma de ver, por dentro das coisas aparentes, deixara para trás o seu grande amor.  Quando, nos tempos áureos, se encontravam, era libertador.      Mas na história dela, se tornara prisioneira de enfado, pela dissimulação que o acometia, sempre em suas meras passagens de encontro. A  química  divina, o toque, o beijo quente, como se fossem feitos um para o outro.      O tempo, arredio inseto, que nos consome. Colocava-se cada vez mais distant...

VIAJANTE DO AMOR - PARTE 6

O GRANDE APRENDIZADO          Ela,  descascava a laranja e sentia como se  estivesse sendo descascada.           A verdade é que observava externamente a situação que durante muito tempo a rodeou e a descascou, não só por fora, mas penetrou em seus gomos,  invadindo seus interiores e sugando grande parte do sumo que lhe pertencia.           Uma situação igual ao aspirador de pó, só que sentiu-se desnuda,  incompleta e totalmente amassada.            Então,  ao deparar-se descascando a laranja,  observou a sensação que houvera passado antes,  na meditativa forma de passar a faca lentamente ao redor da laranja,  retirando a casca.          Durante bom tempo ficou assim,  com  frio,  pois o sumo ia esvaindo e perdendo o sabor pela forma como foi  descascada.  ...